O BichoVi ontem um bicho .
Na imundície do pátio catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa, não examinava nem cheirava: engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
não era um gato,
não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Hoje a caminho do metrô, eu vi um bicho.
Ele revirava um monte de quentinhas retorcidas, abria, cheirava e comia o que julgava bom.
Não consegui parar de olhar. Lembrei do meu almoço na bolsa , ofereci.
Uma quentinha suja virou prato.
Fui embora com um nó na garganta, pensando em Manuel Bandeira , uma vontade enorme de chorar e muitos pensamentos ...
O que é um almoço diante da fome do bicho?
Primeira vez ao vivo.
Em meio de minha fartura, a fome do bicho, ao vivo, a cores e ao meu lado, doeu em mim.
A vida real é infinitamente mais triste que a poesia.


Nenhum comentário:
Postar um comentário