Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Sarah Westphal Batista da Silva
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
domingo, 3 de fevereiro de 2008

O PERGAMINHO
vale das sombras, onde os Deuses adormeciam, havia um grande e majestoso jardim e nele cresciam flores de todos os pontos do universo, pelas mãos habilidosas e gentis da Grande Mãe. Nesse cenário de beleza começa a história da borboleta e do besouro, duas criaturas que conviviam nesse lugar e juntos acabaram descobrindo o preço que se paga pelos sonhos. O
besouro ,uma criatura de formas estranhas, mas de cores vibrantes, tinha a carapaça dura mas que guardava um enorme coração.
Smpre fora de poucos amigos e sonhava com o que poderia ter sido e, muitas vezes, deixava passar os momentos bons de seu presente; tinha boa índole, mas uma personalidade marcante, sempre fora muito teimoso, porém raramente conseguia distinguir o bem do mal; para ele todos eram bons até que se provasse o contrário e durante sua vida muitos o provaram. A borboleta nascera rosa, mas todas as suas irmãs eram azuis, então ela insistia ser também azul. Toda sua existência baseou-se em mentiras e não se sabe ao certo se a borboleta acreditava em suas próprias mentiras, mas tornou-se uma mentirosa compulsiva. No fundo de sua alma era uma criatura gentil, mas não permitia que ninguém se aproximasse de seu coração, pois ali estava toda a verdade de sua vida e essa findaria se alguém conseguisse ver sua verdadeira face. Por motivos diferentes, tanto a borboleta quanto o besouro não se deixavam ver completamente; o besouro por se achar inferior e a borboleta por se achar superior; porém ambos eram tolos e cegos. Como era de se esperar, os destinos desses dois seres se cruzaram e acabaram se relacionando. O besouro, com sua habitual forma de sonhar, tinha a imagem clara de uma borboleta enorme e clara, com vários desenhos nas asas que precisaria desvendar. Em meio a seus devaneios acabou achando que a borboleta realmente era azul, como a própria borboleta insistia. O besouro criou tantas fantasias que acabou por se perder dentre elas. A borboleta via no besouro somente sua força, via-o como um ótimo escudo para tudo que a afligia; o sopro do vento da verdade, os raios do sol da indignação, a forte chuva dos tempos. Na realidade a borboleta procurava um refugio, já que não poderia viver para sempre nas sombras da nogueira sendo eternamente comparada a suas irmãs realmente azuis. Além disso, por considerar o besouro inferior, acreditava que esse aceitaria qualquer coisa para usufruir de sua agradável companhia, principalmente pelo fato de ser um tolo romântico, e realmente assim foi por algum tempo. O besouro acabou por confundir humildade e humilhação, amor e fuga da solidão, mentira e verdade, fantasia e realidade e passou a aceitar as migalha do outro ser, simplesmente por não suportar a idéia de ficar só. Por muito tempo acabou acreditando ser inferior e passou a voar somente na sombra das asas da borboleta e acabou perdendo sua própria cor. Muitos foram aqueles que lhe vieram falar das verdadeiras cores da borboleta, mas ele não acreditava, via-se como um besouro marrom, sem brilho e via a borboleta como uma enorme e bela borboleta azul. As asas do besouro começaram a rachar devido ao peso dos dois seres e o besouro começou a solicitar concessões da borboleta e essa, que prezava sua liberdade acima de tudo, resolveu voar a favor dos ventos e partir, deixando o besouro com as asas feridas. O tempo que o besouro ficou sem voar serviu-lhe para que percebesse coisas que lhe passavam em branco anteriormente. Quando a borboleta passava por sua cabeça, o besouro começou a perceber que o reflexo que as asas deixavam era de cor rosa e não azul, percebeu também que os desenhos que acreditava ver nas asas da borboleta pareciam ter sumido e que ela já não parecia tão grande quanto antes. Enquanto a imagem da borboleta diminuía e murchava na percepção do besouro a sua própria imagem parecia crescer. Ele percebeu que afinal não era um besouro marrom e tão pouco era feio, na verdade era um lindo besouro azul escuro, cujas asas fortes continham pequenas linhas prateadas. Percebeu que tinha uma força descomunal e um poder incrível dentro de si, o poder de escolher, sem medo, seu próprio destino. O pequeno besouro tomou consciência de quão imenso ele era e, pela primeira vez em sua vida, olhou para o passado e viu-o de uma forma totalmente diferente, viu como eram tolos os erros que cometera e como sofrera tanto por coisas efêmeras, viu que afinal, teria sido mais feliz se, nos momentos tristes e solitários, se fizesse feliz. Não lhe importava mais se estava só ou não, o importante era ser feliz, um pouco a cada dia e desejar um futuro ainda mais feliz, mas sem fantasiá-lo. O besouro tornou-se mais acessível para as demais criaturas, mas sem abrir mão de sua privacidade; começou a viver em uma bela realidade, trocando a fantasia em cores fortes pela sua vida real em tons pasteis e construindo sua toca na sombra de uma amoreira. Quanto a borboleta, muitos testemunharam o seu destino. Tornou-se uma criatura mais superficial ainda e não se assumiu como uma borboleta rosa; enquanto o sol brilhava ela jurava ser uma borboleta azul, mas sob a luz do luar ela não conseguia fingir e assumia seu lado rosa se fantasiando de criatura da noite. Ela rompeu a barreira dos dois mundos e conheceu a permissividade e a promiscuidade, vendendo seus favores por muito pouco e perdendo um pouco do brilho dos olhos a cada dia. Ela não vivia mais nem na realidade, nem na fantasia e tentava a qualquer custo reaprocimar-se do besouro, pois precisava muito de um escudo. O besouro, que agora era uma criatura feliz, não permitiu que a borboleta invadisse seus espaços e sua vida novamente e advertiu a borboleta de que agora, quem esta só era ela. A borboleta não podia mais voltar para a sombra da nogueira e desperdiçara a amizade e confiança do besouro, pousou nas margens de um riacho e olhou para si. Não mais se reconhecia, estava com as asas quebradiças e perfuradas e com uma tonalidade de rosa pálido; questionou-se de como teria sido se tivesse realmente assumido que era rosa e de como seria se vivesse uma vida verdadeira, sem se preocupar em quantas mentiras já havia contado e em quantos já havia pisado. Não se conformando, em um momento de desespero, atirou-se nas águas do riacho e deixou-se afundar. Os desígnios do destino são estranhos e inexplicáveis, mas o pequeno besouro acabou morrendo quase no mesmo instante, naturalmente e tão serenamente quanto merecia. Os senhores dos elementos sencibilizaram-se com a história do besouro e os senhores da terra fizeram com que a areia o engolisse, o fogo então queimou-o, vitrificando-o; os senhores do vento sopraram para tirar-lhe a areia e para esfriar seu corpo e os senhores da água conferiram-lhe o brilho de mil estrelas. O besouro transformou-se em um escaravelho de prata cravejado de safiras que adornaria príncipes, reis e sacerdotes no mundo dos mortais e seria uma das jóias mais conhecidas e cobiçadas do mundo e jamais estaria sozinho novamente. Tornara-se tão grandioso quanto seu próprio coração. Os senhores dos elementos também transformaram a borboleta; os senhores das águas tiram-na do leito do riacho, os senhores da terra esmagaram-na, os senhores do fogo aqueceram-na e os senhores dos ventos sopraram e transformaram a borboleta em um pergaminho rosa, pergaminho este que foi utilizado para um único propósito: guardar para sempre escrito em si, a história do escaravelho azul. XANTRA LENHAJ
sábado, 2 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
morrer

A morte não tem graça, a gente faz planos, marca o dentista, sonha com o homem ideal, acha o homem ideal, promete que na segunda começa o regime, liga para a melhor amiga, macam de se encontrar relembrar os velhos tempos, e de repente,morre. Como assim? Quem roubou a vida que estava aqui? E Minha viagem pra Minas?
Morte, que coisinha sem graça é você, que sombra na luz.
E , aqui em baixo, as sombras chegam rápido demais, por isso eu vou subir a montanha.
E lá em cima os últimos raios de sol serão meus.
E quando a noite chegar, ira me encontrar, lá em cima.
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